Meira já foi embora. Silas também. Demorou, mas dois dos cânceres que tomavam conta do nosso Grêmio finalmente se foram. (PARÊNTESES: o Silas não tinha emprego garantido em 19 clubes do Brasil? rs!)
Pois bem: a Direção resolveu tentar jogar a responsabilidade para a torcida, ao contratar um treinador com o apelo emocional que carrega o Renato. Na minha opinião, uma atitude covarde, de certa forma, ao lançar mão do maior ídolo de nossa história para tentar amenizar um momento de desestabilidade. Sob a desconfiança de alguns poucos (entre os quais este que vos escreve), Portaluppi aceitou o desafio - e de uma coisa não há dúvidas: gremista de corpo e alma, ele vai dar um dente para salvar o Tricolor.
Em duas semanas de trabalho, o novo treinador mostrou que amadureceu bastante desde que iniciou sua nova carreira. Muita coisa mudou desde que Silas "tamo-jogano-bem" foi embora. Coisa que Renato já fez:
- - está combatendo os problemas de comportamento e falta de comprometimento de alguns jogadores: atletas como Rodrigo e Hugo foram embora, e servem de exemplo para os que ficaram.
- - tirou Ozéia e Ferdinando do time titular; os próximos da lista deverão ser Edílson e Fábio Santos (com a entrada de Gabriel e Lúcio).
- - está recuperando a organização tática do time a partir da defesa, para o meio campo, para o ataque, como deve ser em uma equipe que está precisando se reerguer de uma má fase.
- - reduziu a carga de responsabilidade defensiva do Douglas, e com isso está começando a recuperar um jogador que até há pouco tempo era duramente criticado (com justiça) pelo torcedor.
- - recuperou em parte a confiança dos jogadores, que estavam rendendo pouco e estão voltando a atuar mais próximo do que sabem (apesar de isso não ser suficiente com relação a alguns atletas).
Mesmo com as mudanças, o rendimento do Grêmio segue muito abaixo do ideal. As duas últimas partidas contabilizaram derrotas duríssimas para um clube que segue há muitas rodadas na parte inferior da tabela. Contra o Ceará, o gol contra de William Magrão com 40 segundos de jogo foi uma ducha de água fria em jogadores que já estão tendo dificuldades para se motivar. Contra o Santos, a dificuldade de transformar uma atuação razoável em um placar favorável acabou se tornando um pesadelo, com um revés em pleno Olímpico (apesar da atuação destacadíssima de Victor).
A próxima partida não é nada promissora: apesar de o adversário ser o mediano Atlético Paranaense, o jogo será disputado em Curitiba. E o Grêmio segue há dezenas de rodadas do Campeonato Brasileiro sem vencer como visitante.
É possível que Renato promova uma mudança importante nas laterais já pra essa partida, com Lúcio e Gabriel cumprindo uma função mais ofensiva pelos flancos - arma importante que há muito tempo está deficiente no Tricolor. Com isso, o meio-campo poderia ser armado com três volantes para dar cobertura: Adílson, Rochemback e Fernando, além de Douglas fazendo a função de meia-atacante. Mas o mais provável é que ele mantenha Souza na terceira vaga, em vez do garoto Fernando.
Mas voltando ao título do texto: o que falta para o Grêmio voltar a vencer?
É difícil. Particularmente, acredito que até o final do ano iremos brigar por uma posição intermediária na tabela. Classificar para a Sul-Americana já é lucro (apesar de o Tricolor nunca dar bola pra essa competição). Ano que vem, é repensar a política de contratações e valorizar mais nossos jogadores jovens. Atitudes como o empréstimo do Mithyuê, por exemplo, jamais poderiam ser tomadas com um plantel limitado em mãos.
Mas o mais importante é ter paciência. Um time competitivo dificilmente será montado com um bom planejamento, antes de 2012.
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